Lixão de Igarassu compromete Rio Arataca, diz Deputada
Terça-feira 18 de março de 2008 - da Redação do pe360graus.com
Há dois anos e meio a comissão do meio ambiente discute, na Assembléia Legislativa, o impacto ambiental que as obras de construção de um aterro sanitário próximo ao rio Arataca, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, poderia trazer. O tempo passou e o aterro está quase pronto. A deputada Ceça Ribeiro, presidente da comissão, diz que as conclusões dos debates não são animadoras.
“Após a vistoria da CPRH, os engenheiros mudaram um ponto do projeto, garantindo que o chorume (líquido preto que sai do lixo) não dera despejado no rio Arataca. Em compensação, será levado ao aqüífero Beberibe, comprometendo a vida de pescadores que vivem dos peixes do local”, avaliou.
Segundo a deputada, o aqüífero de Beberibe possui um lençol freático que abastece o Pernambuco e parte da Paraíba. “Por isso queremos que as obras sejam paradas imediatamente, caso contrário, os danos para a natureza serão irreversíveis” argumentou uma ambientalista.
A lei de crime ambiental prevê que nenhum aterro sanitário pode ser construído se não for cumprida uma distância mínima de três quilômetros, mas o rio Arataca fica a apenas 50 metros do lixão. Mesmo assim, o local já está quase pronto para receber uma tonelada de lixo por dia.
Cansados de sempre pedir a paralisação da obra, agricultores que moram próximo ao rio fizeram na segunda-feira (17) um protesto. A idéia é chamar a atenção para a necessidade do aprofundamento da discussão.
PROTESTO
Agricultores do assento Umbu, em Igarassu, pararam, nesta segunda (17), a bomba que levava água do rio Arataca ao sistema Botafogo, que abastece cerca de 140 mil pessoas. Trata-se de um protesto contra a construção de um aterro sanitário próximo ao local.
Segundo os agricultores, o aterro comprometerá a qualidade da água do rio e consequentemente o meio ambiente. O local, que receberá lixo industrial, fica próximo a Mata Atlântica e a menos de 50 metros do Arataca. "Esse é um dos únicos rios que tem a água limpa. Precisamos preservá-la", protestou Severino Raimundo, representante da Associação dos Agricultores.
Este não o primeiro protesto dos assentados de Umbu. Há quatro meses eles abriram uma passagem na barragem. Com isso, água limpa que deveria ajudar o abastecimento do Recife está escoando para o mar, trazendo prejuízos financeiros para a Compesa. "Vamos conversar com a comunidade para que entendam que esta medida não traz benefícios; ao contrário, isso pode trazer problemas para eles mesmos", argumentou o Sérgio Torres, diretor da Compesa.
As obras no aterro estão quase concluídas e contaram com investimentos da iniciativa privada – cerca de R$ 5 milhões. De acordo com os responsáveis pelo empreendimento, não riscos para o ambiente, e o aterro foi aprovado pela CPRH. "No projeto levado a CPRH, discriminamos que o lixo, após tratado, será levado para um local distante do rio. Sendo assim, não há riscos de contaminação", garantiu Alexandre Menelau, engenheiro da obra.
Apesar da argumentação dos donos do aterro, as 166 famílias que decidiram fazer o protesto não voltaram atrás e manterão a bomba desligada por tempo indeterminado. A intenção é chamar a atenção do poder público para as irregularidades do local. Há dois anos eles tentam chamar a atenção do poder público para que sejam realizados laudos sobre o impacto ambiental do aterro.

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