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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Depois da agrária, Lula promete a “reforma aquária”

Lúcio Tavora/Agência A Tarde

Lula, acompanhado de Wagner e Dilma Rousseff, usou a irreverência ao discursar para pescadores

Biaggio Talento e Regina Bochicchio, do A Tarde

Leia também: >>Lula deixa Salvador e promete aumentar a pesca em 40% no País

Ao transformar a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca em Ministério, através de medida provisória assinada, nesta terça-feira, 29, no fim da tarde no Largo da Ribeira, o presidente Lula provocou risos nos cerca de cinco mil pescadores e militantes petistas que assistiam ao evento, ao comparar a revolução que pretende fazer no meio líquido, com o que supostamente seu governo vem realizando no campo. “Da mesma forma que a gente faz a reforma agrária na terra, é fazer uma reforma aquária, na água”. Lula disse ser “uma vergonha” um País com um litoral extenso como o Brasil e com 190 milhões de habitantes, só produzir um milhão de toneladas de pescado por ano, enquanto o Peru, que é bem menor e possui uma população de 27 milhões de habitantes, pescar nove vezes mais, ou seja nove milhões de toneladas/ano. Citou também que barcos camaroneiros do Japão capturam no litoral do Amapá por ano oito toneladas de peixes que descartam, pois só se interessam pelo camarão. “Alguma coisa está errado aí”, diagnosticou, afirmando não entender, por exemplo, o fato de lagos artificiais de barragens como o de Itaipu não ser usado para a criação de peixes. “Chega de estupidez: aquela imensidão do Lago de Itaipu, agora que nós começamos a criar pacu, mesmo assim nos proibiram de colocar lá (a espécie) tilápia”. ANIMADOR - Como um verdadeiro animador de auditório, Lula discursou – ao contrário da imensa lista de oradores que o precedeu – com o microfone na mão e andando pelo palanque, levando a multidão ao delírio com sua forma irreverente e peculiar de se expressar.

Dizendo “falar como um pescador”, notou ser capaz de “matar muitos de vocês de inveja”: “tenho lá, no Palácio da Alvorada, que eu coloquei, pintado de 15 quilos, pacu de 12 quilos, eu tinha jaú de 60 quilos”. Conforme Lula “de vez em quando” ele pega alguns desses peixes para comer. “Na maioria das vezes, o peixe ronca, a dona Marisa pensa que ele está chorando e manda soltar”, brincou. Junto com a criação do Ministério da Pesca, o presidente lançou o “Mais pesca e aqüicultura”, plano de desenvolvimento sustentável 2008/2011. A idéia é dobrar a produção de pescado e gerar mais de um milhão de empregos, através da construção de 22 novos terminais marítimos. Além disso serão criadas várias linhas de créditos para a implantação de projetos de criação de peixes, mariscos e crustáceos e para que pescadores possam adquirir novos barcos.

Os recursos vão ser usados também para a formação de uma rede de armazenamento, com fábricas de gelo. O objetivo dessa infra-estrutura reclamada há anos pelos pescadores é permitir que eles possam controlar a distribuição do pescado escapando dos atravessadores. Lula acha ser possível com o aumento da produção, colocar peixe na merenda escolar. “As crianças vão pegar o hábito de comer carne de peixe vai perceber que é mais saudável”. Para ajudar a tocar essa “revolução”, o presidente quer a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dos governos estaduais e prefeituras.

Finalizando, fez questão de elogiar governador Jaques Wagner. “Conheço esse caboclo aqui há 30 anos, vocês pescadores podem saber que têm nele um companheiro para os momentos difíceis e eu tenho certeza que ele vai ser o governador que vai passar para a história como o que melhor tratou os pescadores da Bahia”. RECURSOS - Embora o ministro da Pesca, Altemir Gregolin, empossado nesta terça-feira, com a criação do Ministério da Pesca, tenha anunciado um aporte de R$ 1,5 bilhão em linhas de crédito para o desenvolvimento da pesca e aqüicultura, ainda não se sabe quanto desse recursos chegará até a Bahia, segundo disse Marcelino Galo, que está à frente da Superintendência Estadual para Pesca na Bahia. O que existe de concreto, até agora, é a construção do Terminal Pesqueiro, no Largo da Ribeira, orçado em R$ 60 milhões, recursos que virão do governo federal mediante convênio com o Estado. O dinheiro já estaria reservado, aguardando a liberação. A idéia é privilegiar a pesca artesanal em relação aos grandes pesqueiros. Uma faixa de protesto do Movimento dos Pescadores, ligada à Pastoral da Pesca questionava o presidente de qual lado ele estava. O discurso de Lula defendeu a pesca artesanal.

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