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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Metais pesados agridem estuário RIO TIMBÓ
Jornal do Comércio - Publicado em 23.11.2008
Pesquisa do Itep revela que água está contaminada por zinco, manganês, cromo e ferro, muito nocivos à saúde humana e prejudiciais aos animais Verônica Falcão

vfalcao@jc.com.br

O estuário do Rio Timbó, ao Norte do Grande Recife, está contaminado por metais pesados. É o que revela pesquisa de mestrado do Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep). Zinco, cromo, manganês e ferro foram os que apresentaram os maiores valores.

O autor do estudo, Tibério Noronha, lembra que os metais pesados, nocivos à saúde humana e aos animais, se acumulam no organismo. “Nossos resultados indicam a possibilidade de contaminação de animais aquáticos, principalmente os que vivem no fundo, como o sururu, coletado em larga escala no estuário do Rio Timbó”, avalia.

A análise dos metais foi feita em amostras de sedimento do Timbó, que corta Abreu e Lima, Paulista e Igarassu. Ele aponta várias fontes de contaminação que podem estar liberando essas substâncias no rio. “As mais comuns são os efluentes de mineração, águas residuárias industriais, escoamento superficial de águas pluviais, resíduos sólidos, efluentes de áreas urbanas, resíduos agrícolas, fertilizantes e combustíveis fósseis”, descreve.

O pesquisador lembra que os rios do estuário do Timbó, a exemplo do Barro Branco, recebem não apenas efluentes industriais, mas também esgoto doméstico. Isso porque drenam regiões urbanizadas, incluindo diversos loteamentos e ocupações irregulares.

Ruim para o manguezal, bom para ecossistemas vizinhos. A detecção de metais pesados no estuário Timbó pode significar que outros ambientes naturais, como rios e mares, estão sendo preservados da contaminação. É que o manguezal tem a capacidade de reter esse tipo de elemento químico.

“Os manguezais podem atuar como barreiras biogeoquímicas no transporte de metais pesados, acumulando-os e imobilizando-os no sedimento”, explica Noronha, que é oficial da Polícia Militar e concluiu este ano o mestrado profissional em tecnologia ambiental do Itep. “Os metais permanecem mais tempo nos sedimentos do que na água ou no material em suspensão.”

COMPARAÇÃO

Durante o trabalho, o biólogo verificou que os níveis de níquel, cádmio e cobre se mostraram abaixo dos dos limites de detecção do método utilizado. “Por isso, foram desconsideradas.” As amostras são provenientes de oito estações distribuídas ao longo do estuário. Cromo e zinco, entre os que apresentaram índices mais elevados, foram os que excederam os limites toleráveis pelos seres vivos.

Em casos como o do cromo, o valor encontrado foi quase o dobro do limite recomendado para evitar o comprometimento dos seres vivos. Além de usar valores de referência como os do Conselho Canadense do Ministério do Meio Ambiente, o pesquisador usou, para efeito de comparação, dados de estudos anteriores feitos em estuários considerados mais preservados do que o do Rio Timbó. Entre eles estão o da Estação Rádio Pina, no Recife, e o do Complexo Estuarino de Itamaracá, Região Metropolitana.

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