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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Belo e assassino, coral-sol invade costões em Ilhabela

Aos olhos do mergulhador visitante, a beleza do coral-sol, com seus tentáculos amarelos que parecem iluminados, some antes mesmo da segunda sugada de ar no regulador. Basta lembrar o que os cientistas haviam dito sobre o animal antes de a exploração submarina começar: "Vamos observar uma espécie invasora, que mata os corais que só vivem na costa do Brasil". Membros da ONG Terra e Mar - Gilberto Mourão foi quem encontrou o invasor em São Paulo- e pesquisadores do Centro de Biologia Marinha da USP estão desde janeiro convivendo com essa espécie assassina, que pela primeira vez é detectada no país fora do Estado do Rio de Janeiro. Agora é oficial: os invasores estão migrando rumo ao sul. O coral-sol não é o único estrangeiro em ação em águas nacionais. Levantamento inédito feito pela USP, que será divulgado em outubro, mostra a invasão de pelo menos outras 35 espécies marinhas. Para ver o belo e assassino coral-sol, a reportagem da Folha, a bordo do barquinho Shark - com o professor aposentado da USP José Carlos de Freitas no comando -, mergulhou no litoral norte (o local exato é segredo para que curiosos não atrapalhem as pesquisas) na quinta-feira. O inimigo estava lá, no costão rochoso, a profundidades que variam de 50 centímetros a 15 metros. O maior tapete coralino estava sob uma rocha grande, em uma zona que costuma ficar boa parte do tempo na sombra. Sem luz, os tentáculos dos pólipos (os indivíduos das colônias) ficam mais abertos. O diagnóstico inicial confirma que, só em águas paulistas, essa espécie de coral originária do Indo-Pacífico ocorre em um triângulo de aproximadamente 25 mil metros quadrados. No Rio, no canal de Ilha Grande, onde o coral é mais abundante, a invasão ocorre ao longo de 25 quilômetros. Segundo Alberto Lindner, pesquisador do Cebimar e organizador da expedição, o coral-sol (gênero Tubastrea) é uma ameaça "porque ele mata o coral-cérebro" (Mussismilia hispida), uma das espécie que só existe no Brasil. Registros dessa agressão, que ocorre porque o coral invasor cresce sobre o endêmico e promove a necrose dos indivíduos, foram feitos pela equipe de Joel Creed, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). O grupo estuda a invasão do coral-sol desde 2000. Outro risco potencial que pode ocorrer, segundo os cientistas, é também altamente impactante para a biodiversidade marinha brasileira. O coral-sol, segundo Lindner, ao ocupar o seu espaço de forma agressiva --ele se reproduz entre 12 e 18 meses, o que é bem rápido para um coral-- afugenta os invertebrados marinhos e peixes que já viviam naquele local. 'Isso pode ter até conseqüências econômicas, dependendo dos animais que são deslocados', disse o pesquisador da USP. A chegada do coral-sol, primeiro ao litoral do Rio de Janeiro, provavelmente há quase 20 anos, e agora há menos tempo em São Paulo, não é fruto de uma distribuição aleatória causada pelas correntes marinhas. A culpa, aqui, é dos navios que carregam petróleo. "É praticamente certo que o transporte desses corais [ao longo do Sudeste] ocorra tanto por plataformas quanto pelos cascos dos petroleiros, que trazem óleo da bacia de Campos para os terminais de Ilha Grande e para o Terminal Marítimo Almirante Barroso, em São Sebastião", diz Linder. Relatos científicos, também feitos pela Uerj, mostram que as plataformas "off-shore" da Bacia de Campos, no final dos anos 1980, foram os primeiros pontos de desembarque do coral-sol no Brasil. Essa espécie emigrou do Caribe, onde chegou desde o Oriente nos anos 1940, e se alastrou pela região. Pela raiz Migração confirmada, o levantamento científico que teve início no mês passado vai aumentar. Segundo Lindner, expedições serão feitas nas próximas semanas desde a região da ilha Anchieta (Ubatuba) até a Laje de Santos, ao sul. Lindner defende a criação de uma estratégia de erradicação dos invasores tão logo o mapeamento esteja concluído, para evitar que o coral-sol continue a se espalhar pelo país. No Rio, a Uerj já se prepara para executar um plano radical de extermínio: com o apoio de pescadores de Ilha Grande, os pesquisadores tentarão raspar as colônias das rochas. (Fonte: Eduardo Geraque / Folha de S.Paulo)

Cientistas britânicos relançam geladeira ecológica de Einstein

22 / 09 / 2008 Uma equipe de cientistas britânicos reconstruiu um protótipo de uma geladeira ecológica inventada pelo físico Albert Einstein em 1930, que tem a vantagem de não se alimentar de eletricidade. Os refrigeradores modernos são prejudiciais para o meio ambiente, pois funcionam mediante compressão e expansão dos gases fréons, que contribuem para intensificar o efeito estufa. Com o aumento do nível de vida em muitos países em desenvolvimento, cada vez mais refrigeradores são vendidos, o que amplia a chegada à atmosfera desses gases, mais prejudiciais que o dióxido de carbono. Na tentativa de amenizar essa situação, Malcolm McCulloch, um engenheiro elétrico de Oxford que se dedica às tecnologias ecologicamente corretas, coordena um projeto de três anos para o desenvolvimento de mecanismos que podem ser utilizados sem eletricidade, informou hoje o jornal "The Observer". Pressão dos gases - A equipe que dirige fabricou o protótipo de um refrigerador patenteado em 1930 pelo físico atômico húngaro Leo Szilard. O projeto, que só utilizava gases à pressão para congelar os alimentos, foi aplicado parcialmente nas primeiras geladeiras domésticas, mas a tecnologia foi abandonada quando outros compressores mais eficazes ganharam popularidade no meado do século passado. O modelo inventado por Einstein e Szilard não requer os gases fréons: usa apenas amoníaco, butano e água, e aproveita o fato de os líquidos ferverem a temperaturas inferiores quando a pressão do ar é menor. "No pico do monte Everest, a água ferve a uma temperatura muito inferior à do nível do mar", explica McCulloch. O aparelho contém um vaporizador, um recipiente que contém butano. "Caso se introduza vapor nele, a temperatura em que a água ferve diminui, e, com isso, rouba energia do entorno, o que produz o efeito de refrigeração", acrescenta o cientista. (Fonte: G1)

Ibama vai autorizar criação de animal silvestre

22 / 09 / 2008

Animais silvestres nativos do Brasil, como o papagaio verdadeiro, o bicudo, o canário-da-terra e o trinca-ferro, terão a criação doméstica e a venda comercial autorizadas pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) até o fim do ano. A medida visa a combater o tráfico de animais silvestres, que movimenta milhões e alimenta uma máfia internacional, disse João Pessoa Riograndense Júnior, coordenador de Fauna do Ibama. Da lista deverão constar outros espécimes não só de psitacídeos, como o papagaio verdadeiro (Amazona aestiva), que tem coloração geral verde, fronte azul, vértice, face e garganta amarelos, base da cauda vermelha e ponta das asas preta, e passeriformes, como o bicudo e o trinca-ferro. Mas o Ibama ainda não concluiu a lista. É certo que não constará nenhum tipo de primatas nem felídeos, como onças e jaguatiricas. É possível que na lista apareça algum tipo de cobra, pois várias delas são nativas do Brasil (não exclusivamente), como a jararaca e a jararacuçu. A liberação da criação e comércio das espécies silvestres nativas do Brasil como animais domésticos obedece à Resolução 394/07, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Ela foi tomada em cumprimento à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio-92), realizada no Brasil. Visa a prever, prevenir e combater na origem as causas da redução ou perda da diversidade biológica, controlar ou erradicar e impedir que se introduzam espécies exóticas que ameacem os ecossistemas, hábitats ou espécies. Para João Pessoa, internamente pode ser um importante instrumento de combate ao contrabando de animais, pois oferecerá a quem quiser ter um desses em casa a oportunidade de criá-lo em condição legal, sem risco de prisão e de pagamento de multa. Os animais só poderão ser vendidos por criadouros com atividades autorizadas pelo Ibama. O comércio de animais em feiras ou beira de estrada continua ilegal. Do mesmo modo, não será autorizado que eles sejam recolhidos no campo e levados para casa. O nascimento de filhotes, mesmo que de animais comprados legalmente, terá de ser comunicado ao governo. De acordo com dados do Ibama, o contrabando nacional e internacional de animais silvestres é o terceiro tipo de tráfico mais lucrativo no Brasil, perdendo apenas para o de drogas e de armas. Com isso, a biodiversidade do País vem sendo constantemente ameaçada pela perda anual de uma quantia incalculável de animais. Dados da organização não-governamental Rede Nacional contra o Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) mostram que, ao contrário do que se pensa, a maior parte se destina ao mercado interno, e não ao externo. O valor de venda de um animal raro no Brasil dificilmente ultrapassa R$ 360, enquanto no mercado externo pode chegar até a US$ 15 mil (ou R$ 19 mil). Ainda conforme levantamento feito pela Renctas, um dos animais com maior procura no exterior é o mico-leão-dourado, que no Brasil sai por cerca de US$ 180, enquanto na Europa chega a US$ 15 mil. O melro (Gnorimopsar chopi, também conhecido por pássaro preto e assum preto), ave que nas feiras livres do Sul e Sudeste do País é vendido por US$ 150, chega a US$ 13 mil nos Estados Unidos. (Fonte: João Domingos/ Estadão Online)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Fundo para revitalizar São Francisco poderá ter R$ 6 bi
http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2008/09/10/Brasil/Fundo_para_revitalizar_Sao_Franci.shtml
Quarta-feira, 10/09/2008 - 18:33
Brasília - A Proposta de Emenda à Constituição 287/08, do Executivo, cria o Fundo para a Revitalização Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio São Francisco, com prazo de duração de 20 anos. A previsão é de que, nesse período, sejam aplicados R$ 6 bilhões em programas de revitalização. O objetivo da proposta é custear programas e projetos governamentais de recuperação ambiental do São Francisco e seus afluentes e de desenvolvimento sustentável da região banhada por eles. O fundo terá um conselho consultivo, o qual contará com a participação de representantes da sociedade civil. A proposta prevê que o fundo será constituído por dotações do Orçamento da União e da participação nos resultados da geração de energia elétrica a partir da bacia do São Francisco. Dos recursos oriundos dessa participação nos resultados, o fundo terá a totalidade do que seria repassado a órgãos da administração direta da União e 10% do que seria destinado a estados e municípios. A cada cinco anos, será avaliado o montante de recursos financeiros alocados para o fundo, de forma a assegurar o equilíbrio financeiro na efetiva execução dos programas. Caso a avaliação qüinqüenal conclua que foram aplicados nos programas recursos inferiores a R$ 1,5 bilhão, será feita uma complementação nos cinco anos seguintes. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que os recursos previstos são suficientes para a realização das políticas públicas necessárias ao atendimento amplo e completo da revitalização do São Francisco.
Comissão de Justiça acata propostas para o meio ambiente

Publicado no Diário Oficial do Estado (D.O.E.) em 10/09/2008. Clique na imagem para vê-la em seu tamanho originalT
Clique na imagem para vê-la em seu tamanho originalTrês projetos que tratam de mudanças no cenário ambiental pernambucano e nos critérios de preservação da vegetação de Itamaracá foram anlisados e aprovados durante a audiência pública promovida pela Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) – presidida pelo deputado José Queiroz (PDT). Além de parlamentares, participaram do encontro representantes da Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Complexo Industrial Portuário de Suape. Os Projetos de Lei nº 654/08, 676/08, 678/08 - cujas votações haviam sido suspensas há duas semanas - tiveram o conteúdo questionado por deputados da Oposição. Na opinião deles, faltavam explicações quanto ao que seria feito com as áreas citadas nas propostas. A representante da CPRH, Maria Lúcia Costa Lima, falou sobre a primeira proposição, que aborda as modificações na categoria de manejo das reservas ecológicas da Mata Lanço dos Cações, Mata de Santa Cruz, Mata de Jaguaribe, Mata Engenho Macaxeira, Mata do Engenho São João e Mata do Amparo. Para ela, a iniciativa beneficiará os espaços – localizadas em Itamaracá. O projeto prevê a recategorização das localidades como Refúgios de Vida Silvestre – do Grupo de Proteção Integral. A alteração é prevista pela Lei Federal nº 9.985. “O intuito é proteger as espécies silvestres, principalmente aquelas que estão sob ameaça ou em risco de extinção. A modificação possibilitará uma gestão integrada entre os órgãos”, destacou Maria Lúcia. Em relação à matéria 676/08, o diretor de Engenharia e Meio Ambiente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Ricardo Padilha, explicou que o texto – cujo conteúdo sugere a supressão de 48 hectares de mangue para a construção de três empreendimentos (a Refinaria Abreu e Lima e duas empresas da iniciativa privada) – é uma formalidade. “Desde 2000, Suape conta com seu EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/ Relatório de Impacto Ambiental) e no documento era prevista a retirada de parte da vegetação. Porém, para cada supressão, a lei brasileira exige que, além de elaborar projeto de compensação, encaminhemos projeto de lei específico”, ponderou. Neste caso, a área de preservação sugerida pelo Estado para compensar a intervenção foi o Engenho Ilha, localizado em Jaboatão dos Guararapes, com 800 hectares de manguezal e restinga. Ainda no encontro, moradores da Ilha de Tatuoca – Ipojuca – disseram-se preocupados com a alteração do espaço, pois muitos vivem da pesca. “Houve definição de que relocaríamos as 51 famílias para outra região e, até dezembro, essas casas devem estar prontas. Nos comprometemos também a retomar o diálogo”, complementou Padilha. Sobre o Projeto nº 678/08, também prevendo supressão de vegetação (60 hectares), o representante da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Artur Maciel, informou haver licença para a obra. A intervenção será feita para a construção de trecho da Transnordestina entre os municípios de Salgueiro e Trindade, no Sertão do Estado. “É uma retirada pequena, equivalente a apenas 5% de toda a área verde da região”, observou. O vice-presidente da CCLJ, deputado Antônio Moraes (PSDB), ressaltou a importância do encontro, principalmente quanto aos esclarecimentos relativos às reservas de Itamaracá. “Em relação ao projeto de Suape, irei propor à Comissão de Meio Ambiente uma emenda à matéria, para que seja definida a área de manguezal a ser preservada como compensação, já que o Engenho Ilha possui parte de restinga”, pontuou. Entidades de proteção ao meio ambiente também participaram da audiência.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

COMISSÃO DE JUSTIÇA DA ALEPE APROVA ALTERAÇÕES EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
09.09.2008
A Comissão de Justiça aprovou, nesta terça (nove de setembro), três projetos do Executivo relacionados à política ambiental. Duas matérias dizem respeito à supressão de vegetação. O outro projeto dispõe sobre a mudança de categoria de seis Reservas Ecológicas localizadas na Ilha de Itamaracá. Antes de aprovar as propostas, o colegiado promoveu uma audiência pública com a presença de técnicos e diretores do Complexo Portuário de Suape, da CPRH e da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico. Um dos projetos do Governo prevê a supressão de sessenta e um hectares de vegetação de caatinga ao longo do traçado da Ferrovia Transnordestina, no trecho compreendido entre as cidades de Salgueiro e Trindade. Outra área visada pelo Executivo está situada na Zona Industrial de Suape. Segundo Ricardo Padilha, diretor de Engenharia e Meio Ambiente do Complexo Portuário, o projeto determina a supressão de quarenta e oito hectares de vegetação, que serão destinados a três grandes empreendimentos. // A medida prevê ações de compensação ambiental, ligadas à recuperação e proteção de áreas de mangue e restinga no Engenho Ilha, em Jaboatão dos Guararapes. Maria Lúcia Costa Lima, da CPRH, falou sobre o projeto que qualifica como Refúgios de Vida Silvestre as Reservas Ecológicas de Mata Lanço dos Cações, Mata de Santa Cruz, Mata de Jaguaribe, Mata Engenho Macaxeira, Mata do Engenho São João e Mata de Amparo. De acordo com a representante da Agência Estadual de Meio Ambiente, essas áreas possuem grande importância biológica e precisam ser mais bem preservadas. O deputado Antônio Moraes, do PSDB, destacou que o Governo deve ficar atento à aplicação de políticas de preservação ambiental no Litoral Norte do Estado. // (F.M.)